Por Mari Vieira
Mora em mim um poeta.
Vive adormecido,
preguiçoso
Um Macunaíma enrustido
Teimoso, pouco ousado
Mas faminto, sempre
faminto
De palavras...
Volta e meia ele desperta
Espreguiça, se estica todo
Range os ossos, boceja
E arrisca (umas palavras)
Trêmulas, confusas
Inseguras.
Mora em mim um poeta.
Um boêmio, bêbado, jocoso
Cínico, egoísta
Malandro de carteirinha.
Bebe letras engarrafadas
Em livros, fica tonto e
lança
Uma cusparada de versos
Ao primeiro ouvido atento
Que passar.
Mora em mim um poeta.
Metido a filósofo
Cheio de perguntas
Eternas dúvidas
Um ignorante diplomado
Um consultor de
dicionários
Um viciado em livros
Morador de sebos.
Mora em mim um poeta
Verborrágico
Multifaces, Multinomes
Mambembe.
Um ser errante
Um cidadão do mundo.
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Lives in me a poet
By Mari Vieira
Lives in me a poet.
Lives asleep, lazy
A closeted Macunaíma
Stubborn little daring
But hungry, always hungry
Of words ...
Every now and then he wakes
Stretches, stretches all
he yawns, creaks bones
And bet (a few words)
Trembling, confused
Insecure…
Lives in me a poet.
A bohemian, drunk, jocular
Cynical, selfish
Trickster certifiable.
He drinks bottled letters
In the books, he gets dizzy
and spits verses
in the first attentive ear
that pass him.
Lives in me a poet.
Cocky Philosopher
Full of questions
Eternal doubts
A graduate of ignorant
A dictionaries consultant
Addicted to books
A dweller of tallow.
Lives in me a poet
Wordier
Multifaceted, multi-name
Mambembe.
A being wandering
A citizen of the world.
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