Verde Verso

Verde Verso is a blog that publishes the work of Mari Vieira, her short stories, chronicles, poems and "insanities." But we take this space to also disseminate the work of other writers better known. This is a content for to drink and to get drunk because it’s good for the soul. Health! Mari Vieira.

sábado, 10 de novembro de 2012

Cicatrizes/Scars


Por Mari Vieira


Devo confessar amigos, num misto de culpa e gozo, que o que chamam de amor e tentam explicar com palavras eu nunca senti. O que senti, na verdade, era pura loucura.
Ele apareceu quando eu menos esperava. Quando estava convicta de que Pascal estava errado quando disse que o coração tem razões que a própria razão desconhece.
Ele estava sentado num gramado, descalço e os pés me lembravam pés de santo de barro; tive vontade de beijá-los.
Ri, depois de um momento, do que eu senti. Na verdade não sei se foram os pés ou por que estava tão à vontade num lugar onde todos estavam vestidos com um certo rigor e ele muito confortável com sua roupa que destoava de todos e ainda tinha coragem de tirar os sapatos.
Durante dias a imagem daqueles pés me perseguiram e acabei escrevendo um poema para eles.
Levou um tempo para que eu me apaixonasse pelo resto do corpo, carregado por aqueles pés lindos num andar ágil e sutil.
Hoje não discuto mais com Pascal, nem com as cicatrizes do meu coração.


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Scars
                  By Mari Vieira

I must confess friends, in a mixture of guilt and joy, that what they call love and try to explain with words I've never felt. What I felt, in fact, was pure madness.
He came when I least expected. When I was convinced that Pascal was wrong when he said that the heart has its reasons that reason knows nothing.
He was sitting in a lawn, barefoot and his feet reminded me holy clay's feet, I wanted to kiss them.
I laughed, after a moment, what I felt. Actually, I don’t know if were his feet or why he was so comfortable in a place where everyone was dressed with a certain rigor and he very comfortable with his unfashionable clothes and still had the courage to take off my shoes.
During some days the image of those feet haunted me and I wrote a poem for them.
It took a while for I fall in love for the rest of the body that was carrier by those beautiful feet in walk agile and subtle.
Today I don’t argue more with Pascal, nor with the scars of my heart.

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