Verde Verso

Verde Verso is a blog that publishes the work of Mari Vieira, her short stories, chronicles, poems and "insanities." But we take this space to also disseminate the work of other writers better known. This is a content for to drink and to get drunk because it’s good for the soul. Health! Mari Vieira.

domingo, 8 de abril de 2012

Delírios literários


Por Mari Vieira



Oh, Sigmund
Meu coração é volúvel, leviano.
Desde que a Mrs. Jane introduziu-me o Mr. Darcy, que faço eu senão pensar sobre o que é real e o que é imaginário? Quem sou eu que não consigo distingui-los? Deveras se entremearam no meu entorno, temo qualquer dia curvar-me diante de outrem num cumprimento equivocado e ultrapassado. Anseio por quadrilhas e detesto os Bennet. Claro que as misses Jane e Elisabeth estão excluídas. Tenho nojo do Mr. Collins, que homem grotesco e desagradável.
Oh Sigmund
Meu coração é volúvel, leviano.
Sonhei ser princesa, uma rainha, mas diante de Lady Catherine De Bourgh... que ser insuportável, ignorante. E ainda arruma desculpas para si e para a filha. Para que serve mesmo a nobreza? Lá se vão meus sonhos... Ser mulher é ser escolhida e nunca fazer escolhas, portanto nunca saber o preço da renúncia. Bom, já ando delirando. Isso é coisa de Marcel.
Vivo num tempo dos segredos, num tempo dos amores. Ali as montanhas guardam segredos e as cidades, amores impossíveis. Sei que dizes que ‘não há instância alguma acima da razão’, mas que tenho eu com essa palavra? Sou toda emoção. Instintos primitivos. Não tenho trejeitos sociais. Não dou conta deles.
Oh Sigmund minha razão é frágil como uma borboleta. Sensibilidade, não tenho. Que me importa? O inferno são os outros.
Às vezes tenho vontade de ajoelhar-me e rezar. O mundo é cruel e eu posso ser mais cruel que o mundo. Todos podemos. É a natureza, o nosso algoz. Mas sinto tuas palavras me cortando por dentro, açoitando-me. Quem é Deus? Quem o inventou? Oh Sig, deixe-me em paz, eu quero crer e você meu amigo, parece a própria besta destruindo minha fé. Eu te disse, meu coração é volúvel, leviano.
Outro dia pensava em Radcliffe. Me identifico com ele, um amor que transcende a morte, capaz das maiores malvadezas e loucuras. Que uivem os morros, os mortos já não dormem. Quem são os homens que vivem?
Às vezes converso com Alexandre, homens como Dantè não existem mais. Mas os Mondego e Villeford estão por toda a parte. Victor não concorda. Todo homem tem o bem e o mal dentro de si, as circunstâncias fazem prevalecer um ou outro.
 Dantè era bom e tornou-se mal, Jean valjeam era mal e tornou-se bom. Preceitos culturais que o julguem. O homem não é bom nem mal, é homem, é um bicho que por raciocinar tornou-se mais perigoso que os outros. Recusa-se a viver em bandos, gosta de isolar-se. A solidão lhe faz bem. O grupo desperta seus piores instintos, lhe dá coragem. Na solidão ele pode ser ele mesmo. Quem dera cem anos de solidão. Cem anos de introspecção, sem olhos à espreita. Javert nos ronda a todos, busca nosso passado.
De onde vieram as máscaras que promovem o carnaval do mundo, que nos faz vestir fantasias irreais? Oh Sigmund, essa ilusão terá futuro?








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